sexta-feira, 15 de julho de 2011

Raiva no trânsito é sinal de doença, afirma psicóloga

O analista de sistemas William Cruz, 37 anos, já recusou duas propostas de emprego porque teria que ir de carro. Não que ele não tenha habilitação. Mas, há cinco anos, não dirige a não ser em casos de extrema necessidade. A decisão foi tomada porque William percebeu que se transformava quando estava ao volante.

“Cheguei a ser perseguido por um maluco com a arma para fora da janela e a perseguir alguns outros para me vingar de uma fechada”, diz o ex-motorista agressivo. “Dirigir me tirava do sério e me transformava em outra pessoa. Cheguei a ter ataques de fúria, aliviados com socos no volante e gritos de raiva com a janela fechada, por frustração de estar parado.”

Ele deixou o carro pela bike, e os sintomas passaram. “Dirigir em São Paulo é o caminho para a insanidade ou o infarto precoce”, afirma. “Quando comecei a usar a bicicleta na rua me curei disso, porque percebi o quanto as vidas fora do carro eram frágeis e o quanto aquele comportamento as colocava em risco.”

William não está sozinho e qualquer motorista nas grandes cidades pode comprovar isso – dentro ou fora de seu carro. Ao volante, perdemos a cabeça e fazemos coisas que jamais faríamos em juízo normal. De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, 70 chamadas diárias são para resolver brigas de trânsito. Mas o que transforma cidadão em monstros ao volante?

“A raiva vem frustração e falta de respeito pelos outros. É um estado emocional que vem como uma explosão na mente e no corpo”, diz Leon James, professor de psicologia da Universidade do Havaí que especializou-se em stress no trânsito. Ele explica que quanto mais um motorista fica remoendo um incidente no trânsito e pensando nisso, mais está predisposto a ter um ataque de fúria. “Eventos negativos no trânsito são o gatilho da sensação de raiva, que fazem o motorista ter a sensação de que a culpa é do outro, que o outro é sempre culpado por seu atraso ou erro”.

Pode parecer que é só o jeito mais “pavio curto” de algumas pessoas, ou que o trânsito é assim mesmo, mas chegar ao ponto de brigar com desconhecidos no trânsito pode ser uma doença grave. “A maioria dos indivíduos agressivos no trânsito é portador de transtorno explosivo intermitente (TEI), segundo estudos internacionais”, diz a psicóloga Maria Christina Armbrust Virginelli Lahr. “O ambiente é um desencadeador.” De acordo com ela, cerca de 6% da população mundial sofre do transtorno. “A relação do TEI e com o trânsito é estudada há mais de 60 anos, pelo risco de saúde pública.”

De acordo com a psicóloga, as pessoas não procuram tratamento porque acham que é normal. “Mas essa agressividade afeta a vida delas, pode trazer prejuízos pessoais, profissionais”, afirma Maria Christina. “O agressivo se sente vítima de injustiça, tem incapacidade mental de lidar com frustração e não suporta ser criticado. Nunca houve tantos estímulos para o TEI se manifestar”, afirma a psicóloga. Para piorar, a sensação de anonimato no trânsito favorece o sentimento de hostilidade pelo outro.

Para ela, existem pessoas que não poderiam sequer ter carta de habilitação. “A avaliação psicológica do candidato é falha. O psicotécnico por si só não consegue identificar quem é apto a enfrentar o trânsito”, afirma. De quebra, quem comete infrações e se mostra incapaz de se integrar socialmente com seu veículo no trânsito com outras pessoas não é suficientemente punido. “Não tem contenção para essas pessoas, que se tornam uma arma contra ela e contra os outros”, diz Maria Christina.


Problemas de infra-estrutura


Mas o transtorno não acomete a todos que perdem a cabeça. Leon acredita que a direção agressiva é um mau hábito que tem cura. A raiva desproporcional que tira as pessoas do sério no trânsito é comum em grandes cidades e tem até uma expressão em inglês: “road rage”.

Diante de níveis alarmantes dessa doença social, São Paulo tem adotado medidas para minimizar caos no trânsito, como reduzir a velocidade das vias. Isso porque a forma como a cidade está organizada também faz diferença no gatilho da raiva: entre os fatores que Maria Christina elenca, está o mau estado de conservação das ruas e estradas, a falta de iluminação, a falta de controle dos agentes de trânsito, a negligência com os próprios erros, carros obstruindo os cruzamentos, a pressa.

Há uma explicação antropológica também. “Ter uma infraestrutura funcional e limpa faz você dirigir melhor. É como entrar na casa de uma pessoa: se é asseada e organizada, você é conduzido ao comportamento educado”, afirma o antropólogo Roberto da Matta, autor de “Fé em Deus e Pé na Tábua”, sobre o comportamento do brasileiro no trânsito.

O antropólogo acha absurdo dados como as 70 brigas diárias registradas pela PM. “Isso nos diz que o espaço público brasileiro precisa ser politizado, no sentido de uma tomada de consciência para esses comportamentos absurdos”, afirma. “Somos alérgicos a igualdade. O sinal vale para todos, no cruzamento existe uma regra para dar passagem. Mas não somos educados para obedecer isso. No Brasil, desobediência é um sinal de inferioridade, quem obedecia era o escravo. Quem manda não obedece. Numa sociedade democrática, todos mandam e obedecem.”

Autocrítica


Essa sensação de ser justiceira no trânsito já fez parte da vida da designer Priscila Moreno, 28 anos. Ela acumulou tantos pontos que perdeu a carteira em seis meses. “Brigava muito, com todo mundo. Adorava ‘disciplinar’ os outros, impedindo ultrapassagens pela direita, por exemplo.” Ao mesmo tempo, abusava da velocidade quando não estava com o filho a bordo. Priscila bateu o carro da mãe três vezes e duas o do ex-marido. “Nunca feri ninguém por sorte”, diz. Priscila ainda é apaixonada por velocidade, mas trocou as quatro rodas por duas sem motor. Agora, ela policia os próprios comportamentos e não esquece que tem um filho para criar. “Comecei a fazer terapia também.”

Os especialistas são unânimes: falta olhar para o próprio comportamento. É como se a culpa fosse sempre do outro, e isso justificasse o comportamento agressivo. “Numa sociedade liberal e democrática, você trata o outro como gostaria de ser tratado”, afirma da Matta. Ele explica que por trás de frases como “mulher no volante, perigo constante”, ou “só podia ser um velho mesmo”, estão estereótipos que precisam ser discutidos e desmanchados. O brasileiro também tem uma relação enviesada com o espaço público, e não sabe se comportar com o coletivo. “É uma terra de ninguém onde existe uma disputa para hierarquizar”. Como é impossível saber quem está atrás do volante do lado, por via das dúvidas é melhor evitar a briga.

Fonte: IG


sexta-feira, 8 de julho de 2011

SP: 28% admitem falar ao celular enquanto dirigem

O uso do celular é a principal distração que causa riscos no trânsito para motoristas de São Paulo e Rio. Entre os motoristas que enfrentaram alguma situação de risco enquanto dirigiam, 23% estavam falando ao celular ou se distraíram ao tentar atendê-lo.

Em São Paulo, 28% dos paulistanos confessaram que dirigem e falam ao celular ao mesmo tempo, ante 32% dos cariocas.

Os números são de pesquisa inédita, feita em São Paulo e no Rio, para avaliar a distração no trânsito de motoristas e pedestres, encomendada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) e divulgados ontem pelo site Estadão.com.

Na pesquisa, que será apresentada hoje na abertura de um congresso internacional de ortopedia, foram ouvidas 1.020 pessoas, das quais 54% dirigem.

Falar ao celular e dirigir é mais comum entre os jovens. Na faixa etária de 18 a 30 anos, 41% reconhecem que usam o celular e dirigem ao mesmo tempo.

"O sistema cognitivo está focado no dirigir e de repente é obrigado a mudar a atenção e dividi-la com o assunto que está sendo tratado ao telefone. O motorista imediatamente reduz a velocidade, não presta atenção ao trânsito e perde o senso de julgamento de que está em risco", disse ao site o ortopedista Marcos Musafir, um dos organizadores do congresso e consultor em traumatologia da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele cita estudo da OMS que mostra que falar ao celular aumenta o risco de acidente em 400%.

Mais motoristas em São Paulo admitem que passaram por alguma situação perigosa ao volante por conta das distrações: 56%. No Rio, o número é de 40%.

Depois do celular, a distração externa aparece em segundo lugar, com 19%, seguida de mexer no som do carro, com 12%, conversar, com 8%, mexer na bolsa e dirigir alcoolizado, com 5% cada.

Fonte: Destak


sexta-feira, 1 de julho de 2011

PM vai dobrar efetivo nas estradas de SP nas férias

Preocupada com o avanço das mortes em acidentes de trânsito no Estado de São Paulo, a Polícia Militar vai intensificar as operações nas estradas a partir da próxima quarta-feira, dobrando seu efetivo. Nos cinco primeiros meses deste ano, a quantidade de homicídios culposos (quando não há intenção de matar) por acidentes superou o de pessoas assassinadas, seguindo uma tendência que começou no ano passado. A maioria das mortes ocorreu em rodovias.



"Em 2010, pela primeira vez, casos de homicídios ocorridos no trânsito ultrapassaram os casos de assassinatos", afirmou o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alvaro Camilo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram registradas 4.638 mortes no trânsito no ano passado em todo o Estado. No mesmo período, 4.543 pessoas foram assassinadas em 4.320 casos de homicídio doloso (quando existe a intenção de matar), principalmente com armas de fogo.



De janeiro a maio de 2011, o balanço estatístico da SSP mostra que os acidentes de trânsito fizeram 1.943 mortos (quase 13 por dia), enquanto 1.789 pessoas foram assassinadas. "Infelizmente, existe uma tendência dos homicídios culposos no trânsito continuarem aumentando, o que traz preocupação para a polícia", disse o comandante-geral da PM.



Segundo Camilo, o efetivo da Polícia Militar aumentará nas rodovias paulistas. "Serão 2 mil policiais apenas nas estradas a partir da semana que vem, o dobro do efetivo. A Polícia Rodoviária Estadual contará ainda com apoio de outras unidades, como policiamento ambiental."



De acordo com o coronel, haverá bloqueios para verificar as condições dos carros e a documentação dos motoristas e dos veículos. Em parte das ações haverá uso de bafômetros. Segundo ele, ao mesmo tempo cerca de 20 mil PMs participarão de operação de combate ao roubo e furto de carros no Estado. As informações são do Jornal da Tarde


Fonte: Agência Estado


PM vai dobrar efetivo nas estradas de SP nas férias

Preocupada com o avanço das mortes em acidentes de trânsito no Estado de São Paulo, a Polícia Militar vai intensificar as operações nas estradas a partir da próxima quarta-feira, dobrando seu efetivo. Nos cinco primeiros meses deste ano, a quantidade de homicídios culposos (quando não há intenção de matar) por acidentes superou o de pessoas assassinadas, seguindo uma tendência que começou no ano passado. A maioria das mortes ocorreu em rodovias.



"Em 2010, pela primeira vez, casos de homicídios ocorridos no trânsito ultrapassaram os casos de assassinatos", afirmou o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alvaro Camilo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram registradas 4.638 mortes no trânsito no ano passado em todo o Estado. No mesmo período, 4.543 pessoas foram assassinadas em 4.320 casos de homicídio doloso (quando existe a intenção de matar), principalmente com armas de fogo.



De janeiro a maio de 2011, o balanço estatístico da SSP mostra que os acidentes de trânsito fizeram 1.943 mortos (quase 13 por dia), enquanto 1.789 pessoas foram assassinadas. "Infelizmente, existe uma tendência dos homicídios culposos no trânsito continuarem aumentando, o que traz preocupação para a polícia", disse o comandante-geral da PM.



Segundo Camilo, o efetivo da Polícia Militar aumentará nas rodovias paulistas. "Serão 2 mil policiais apenas nas estradas a partir da semana que vem, o dobro do efetivo. A Polícia Rodoviária Estadual contará ainda com apoio de outras unidades, como policiamento ambiental."



De acordo com o coronel, haverá bloqueios para verificar as condições dos carros e a documentação dos motoristas e dos veículos. Em parte das ações haverá uso de bafômetros. Segundo ele, ao mesmo tempo cerca de 20 mil PMs participarão de operação de combate ao roubo e furto de carros no Estado. As informações são do Jornal da Tarde


Fonte: Agência Estado